Jardim regado com lágrimas de saudade: morte e cultura visual na Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula (Rio de Janeiro, século XIX)
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Um dos caminhos mais trilhados nos estudos sobre a morte no século XIX é o que busca analisar as mudanças de atitude provocadas pelo discurso médico condenatório de práticas havia muito estabelecidas em diferentes cidades. A partir, principalmente, dos estudos de Pierre Nora, o cemitério passa a ser tratado como lugar de memória, onde os parentes buscam perpetuar o nome familiar, com a construção seletiva do tempo passado. Reconhecendo essas referências como elementos importantes nos estudos da morte no oitocentos e incorporando-as à sua investigação, Henrique Batista propõe neste livro a possibilidade de interpretar as atitudes perante a morte, naquele período, com base nas experiências visuais, partindo do princípio de que os túmulos não foram erguidos apenas como exibição da saudade, da dor da perda, mas como forma de demarcar lugares sociais. Procura, portanto, relacionar experiências visuais e distinção, por intermédio dos artefatos tumulares e outros suportes.
O autor apresenta duas grandes cerimônias fúnebres, a da rainha d. Maria I de Portugal e a do sobrinho e genro de d. João, d. Pedro Carlos, que foram assistidas por grande parte da população do Rio de Janeiro. As experiências visuais desses funerais, vinculadas à encenação barroca da morte, foram importantes para a percepção e competência visual dos participantes. Discute, ainda, as atitudes diante da finitude em uma das principais irmandades do Rio de Janeiro, a Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula, e os lugares de enterramento de seus membros e de seus escravos, analisando algumas cerimônias com base em registros da irmandade e relatos de viajantes. São abordadas também questões como o processo de constituição de cemitérios, a partir do Cemitério dos Inocentes, em Paris, e dos dois primeiros cemitérios extramuros da cidade do Rio de Janeiro, o Cemitério dos Ingleses e o da Santa Casa de Misericórdia; as discussões suscitadas pelo discurso higienista da época, e as mudanças de atitude perante a morte de pessoas próximas, quando o jazigo individual passa fazer parte do culto familiar dos mortos.
Nas palavras do autor, a construção de um mausoléu visa o futuro, pretende a perpetuação da memória e o parar do tempo, e a cultura visual em torno da morte se manifestava em vários suportes materiais durante o século XIX. Esta obra "é a coroação desse caminho de investigação da visualidade em torno da morte e permite desnaturalizar uma série de questões relativas aos monumentos, esculturas e emblemas fúnebres do século XIX. (...) A morte não é igual para todos e cada grupo social, em certo momento, procura dar sentidos particulares à sua ideia de morte e, assim, constrói uma tradução visual peculiar que, por sua vez, contribuirá na elaboração de sentido de morte para sua geração e para as futuras." - Marize Malta (prefácio)
3º lugar no Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa, 2009
| Autor | Henrique Sérgio de Araújo Batista |
|---|---|
| Editora | Arquivo Nacional |
| Série/Periódico | Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa |
| Volume | 29 |
| Edição | 1ª |
| Ano | 2011 |
| ISBN/ISSN | 978-85-60207-36-7 |
| Formato | Impresso |
| Dimensões | 17 x 25 cm |
| Páginas | 223 |


