O Império e as revoltas: Estado e nação nas trajetórias dos militares do Exército imperial no contexto da Guerra dos Farrapos
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Neste livro, José Iran Ribeiro concentra sua pesquisa na província de São Pedro do Rio Grande do Sul, no período da longa Guerra Farroupilha (1835-1845). Os estancieiros gaúchos e seus seguidores compunham a principal força interventora na região do Prata. Embora muitos deles fossem guerreiros com serviços prestados aos Bragança, constituíram o calcanhar de Aquiles da unidade quando se revoltaram contra o que consideravam abusos dos imperiais. Separadas de seu núcleo guerreiro, ameaçadas por revoltas simultâneas, enfraquecidas pela ausência de um exército de grande porte, as autoridades centrais da Regência e do Segundo Reinado precisaram transferir soldados de províncias distantes, num movimento de circulação que uniu habitantes de diferentes regiões do que viria a ser o Império do Brasil. O autor estuda a arregimentação e o transporte de soldados pelas províncias, constatando os efeitos desses movimentos sobre o processo de formação do Estado imperial.
Esses conflitos aconteceram numa época em que a unidade política era duvidosa e o governo central se encontrava despreparado para lidar com as ameaças de fragmentação política, tendo como pano de fundo o impulso nativista das várias regiões que se opuseram à solução centralizadora ao longo da primeira metade do século XIX. Nesse sentido, a longa campanha contra os farroupilhas rio-grandenses, descrita neste livro por meio da análise de documentação relevante e até então inédita, expressou problemas recorrentes que se intensificaram naquele longo decênio, os impasses e alternativas, e como a sociedade recebeu as medidas nacionalizantes implantadas ao longo do período.
A obra transcende a análise das negociações entre a elite imperial e as facções provinciais, acompanhando também as decisões de uma multiplicidade de indivíduos. Muitos foram os forasteiros que pereceram sob os rigores do clima, das doenças e da dieta alimentar; outros tantos se adaptaram a ponto de permanecerem na província após o conflito, seja como desertores, seja como membros do Exército, ou mesmo adotando o Rio Grande como sua pátria após a baixa. Em todos esses casos, chama a atenção a constituição de vínculos pessoais e afetivos com os locais. Nem todos se sentiam brasileiros, e poucos foram os que entraram na instituição por vontade própria. A análise de suas trajetórias durante período tão conturbado constitui o aspecto mais fascinante deste livro, fornecendo uma contribuição original aos debates sobre a formação do Estado e da nação.
1º lugar no Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa, 2011
| Autor | José Iran Ribeiro |
|---|---|
| Editora | Arquivo Nacional |
| Série/Periódico | Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa |
| Volume | 30 |
| Edição | 1ª |
| Ano | 2013 |
| ISBN/ISSN | 978-85-60207-55-8 |
| Formato | Impresso |
| Dimensões | 17 x 25 cm |
| Páginas | 344 |


